O que dizer sobre esse livro? Bom, quando comecei pensei que estava relendo O último refúgio, porque, para falar a verdade, a história é praticamente a mesma.

Uma mulher não muito jovem e solteira que se apaixona por um homem no meio do nada. Romance água com açúcar elevado ao quadrado para donas de casa que gostam da novela das seis. Pronto é isso! Duas estrelas!

Acabei o post! Essa era minha vontade, mas vamos ao livro né?

O livro, que sugiro como presente para sua mãe, conta a história de Adrienne Willis, separada porque o marido arranjou uma outra mais nova. Oh! Ela decide cuidar da pousada de uma amiga enquanto a dona está de férias e adivinha quem chega? Sim, um homem solteiro e lindo, Dr. Paul Flanner. Ele chegou ao auge da sua carreira, mas neste momento estava buscando resolver um problema que era o motivo de sua vida ter ido por água abaixo. Que momento propício para um romance! Ainda mais se for na temporada das chuvas e tornados e eles precisarem ficar a maior parte do tempo dentro da pousada em frente à lareira!

Pois o casal passa um final de semana no clima de romance, mas Adrienne precisa voltar para sua vida de desquitada, bibliotecária e mãe de três filhos e Paul precisa visitar seu filho, com quem não fala há anos. Eles se separam da maneira mais triste que pode ser uma despedida (nossa, só de contar já tô enjoada de tanto mel com açúcar). Vou contar o final ok: Eles ficam 14 anos sem se ver, se falando apenas pelo telefone e por cartas porque Paul estava com seu filho no Equador. Uma noite o filho de Paul ficou preso em uma estrada prestes a ser soterrado devido a um deslizamento de terra, e quem foi lá para salvá-lo? Siiiiim! Seu pai e o amor da vida de Adrienne: Paul! Adivinhou? Ele salvou o filho e morreu!

A mulher ficou um final de semana com um cara, eles prometeram se encontrar quando ele voltasse do Equador e depois de 14 anos num país X da América Latina o cara morre! Dá pra acreditar? Mas tem uma coisa boa: você não precisa de muitos neurônios para ler o livro de tão simples que ele é! Parece que ele foi feito para virar filme, o que acabou acontecendo.

Bom, este autor está na moda né! Quem gosta de romance puro realmente deve amar os livros dele, mas este não é o meu caso! Ao menos agora eu ja tenho uma opinião formada sobre o Nicholas Sparks. Seu pequeno romance é realista, com pessoas maduras e que mudaram a vida um do outro em um final de semana. Deixando muita experiência e aprendizado que podem ser compartilhados com outros membros da famiilia, como é o caso de Adrienne que fez sua filha voltar à realidade e à responsabilidade depois da morte de seu marido.

Trecho avulso:

Pag.: 190

Apesar de tudo, Paul riu, e Adrienne enconstou-se nele. Ela o beijou e ele, então abraçou-a. Ele conseguia sentir o calor de ser corpo, sentir levemente o perfume dela. Ela se sentia tão bem nos braços dele. Tão perfeita.
– Não sei como ou por que isso foi acontecer, mas acho que o destino me trouxe até aqui – ele disse – para conhecer você. Passei tantos anos da minha vida sentindo falta de alguma coisa, mas eu não sabia o que era. E agora sei.
Ela fechou os olhos.
– Eu também – sussurrou.
Paul beijou os cabelos de Adrienne e, então, pousou o rosto na cabeça dela.
– Você vai sentir minha falta?
Adrienne forçou um sorriso.
– Cada minuto da minha vida.

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Não sei se alguém reparou, mas eu não estou mais postando toda a semana. Primeiro porque eu não estou lendo mais um livro por semana. Não, eu não desisti do desafio para o ano de 2012. Não totalmente né, apenas em parte porque eu continuo lendo livros, só diminuí a frequência. Dependendo do ponto de vista, eu desisti sim, mas quem liga afinal?! Cansei de deixar de dormir ou ver TV para ter que cumprir a meta de um livro por semana. Poderia continuar me esforçando para alcançar o objetivo? Poderia, mas resolvi ter uma divisão mais equalitária das atividades a serem feitas no meu tempo livre.

Isto posto, vamos ao livro da semana/quinzena/mês, o que você preferir.

O livro não é bom, recebe duas estrelas. A história é de uma menina chinesa, que, assim como muitas outras chinesas tem os pés massacrados para deixá-los mais sedutores para seu futuro marido. Um ato machista e que vai contra qualquer tipo de racionalidade. O nome da nossa protagonista é May e ela, quando criança, foi proibida de chorar quando teve seus pés mutilados. Bem, depois ela se casa com um homem e decide fugir já que ainda era virgem, considerando que ele fazia todo o tipo de sexo com ela, menos o “normal”.

May vira prostitura, uma gueixa, e acaba se casando com um de seus clientes, que amava seus pés em forma de lotus. Outra parte do livro é sobre a sobrinha de May, chamada Alice, que é como uma filha para May e tem atitudes um tanto quanto inapropriadas para a cultura chinesa de seu tempo.

Eu não gostei do livro por uma razão simples: ele não é lógico. Os capítulos não são narrados cronologicamente e isso, em alguns livros, é um aspecto positivo. Mas neste caso, para mim foi algo completamente negativo pois em nenhum momento me senti presa à história e essa falta de ordem cronológica me tirava ainda mais do universo do livro já que precisava pensar “em qual momento esse capítulo se encaixa dentro do todo?”

Outro ponto é que são muitos personagens e, levando em consideração que muitos têm nomes chineses, a história acabou se confundindo dentro da minha cabeça. Então, para resumir, muitas vezes me peguei tentando adivinhar sobre quem era a história, quando aconteceu e quem eram os outros personagens envolvidos. Vi algumas críticas positivas ao livro, então talvez eu tenha um raciocínio limitado e por isso não consegui acompanhar todas as indas e vindas do livro.

Trecho avulso:

Pag. 31

Obediente, May não disse nada enquanto a avó enfaixava-lhe os pés, mas quando Yu-ying colocou o primeiro par de sapato de treinamento e disse a May que ficasse de pé e caminhasse para o aposentos da mãe, ela recusou.
– Não posso – disse ela. – Não vou fazer isso.
– Vai sim – disse Yu-ying. E puxou-a, colocando-a em pé e chutando para longe a cadeira vermelha e dourada sob May.
A menina sentou-se duramente no chão. A dor em seus pés era aguda, como dentes. Tonta, fechou os olhos e viu a mão da avó puxando a longa agulha através da carne de seus artelhos.
– Ande – disse Yu-ying. – Não vai funcionar até você andar.
– Estou enjoada. Quero minha mãe.
– Então levante e vá até ela.
– Não posso – disse May.
Yu-ying sacudiu os ombros. Recolheu a tigela, a toalha e a faca com que aparara as unhas de May. Recolheu a planta e o pincel onde May os deixara cair.
– Por favor – disse May.
– O que é?
– Me ajude.
– Estou ajudando – disse Yu-ying e saiu do quarto.

Comprei esse livro em um sebo de 1m² e paguei R$2,00, mesmo na capa estando escrito R$6,50. O livro se resume pela capa: tem cara de romance água com açúcar e é um bom romace água com açúcar.

Ele cumpre com as expectativas, já que, da minha parte, elas eram bem pequenas. A história é de uma mulher divorciada, Lia Gates, que trabalhava fazendo cruzadinhas e enigmas. Em determinado momento ela precisa entregar seu apartamento alugado e não tem para onde ir até que sua amiga, Vitória, oferece uma cabana para ela poder descansar por um tempo. Lia aceita e vai para cabana na estação chuvosa.

Chegando na cabana, o carro atola e ela descobre que a cabana de Vitória estava queimada. Então, como Vitória havia dito para procurar Garrick apenas em caso de necessidade, ela vai até a cabana dele. Garrick era um ator de televisão que se escondeu do mundo em sua cabana após arruinar sua carreira com sexo, drogas e álcool.

Nesse ponto você já sabe o resto da história, né? Apesar de Garrick ser um homem muito fechado e Lia não estar a procura de relacionamentos, eles se envolvem e passam uma temporada de sexo ardente com a chuva torrencial lá fora, que impedia-os de sair da cabana. Não dava pra ser mais água com açúcar.

Bom, muitas outras coisas acontecem, Lia fica grávida, Garrick supera o medo de ser reconhecido e eles viram uma família e “foram felizes para sempre”. Como não há nada de mais nessa livro, dou três estrelas. Envolvente e previsível!

Trecho avulso:

Pag. 128

Lia ergueu-se, fitando-o com olhos magoados. Garrick não disse nada.
– Você não me quer aqui. Por causa disso também não quero estar aqui. Não pedi para ficar presa com você. Se eu soubesse o que Vitória estava planejando, jamais teria saído de Nova York – desabafou ela, respirando forte, numa tentativa infrutífera de controlar o próprio temperamento. – Sou tão independente quanto você, e gosto dessa independência. Eu a conquistei. Acha que é fácil para mim ficar presa numa cabana isolada com um recluso de língua afiada e auto-indulgente? Pois não é! Já aguentei um bocado de coisas do meu ex-marido. Não preciso aguentar de você!

Esse é o último livro da série O Imperador, e como os outros três, recebe cinco estrelas!

Esse livro tem apenas um ponto negativo: ele é o último. Agora não ouvirei mais as histórias de Júlio, Brutus, Servília, Otaviano, Marco Antônio, Pompeu, Crasso, Ciro que o Conn Iggulden escreveu. Estou sentindo aquele vazio de quando você termina de ver ou ler uma série e fica procurando um sentido, afinal todo aquele universo no qual você submergiu terminou. Mas sei que existem muitas outras séries cinco estrelas e infinitos livros nos quais posso me envolver. Na verdade, hoje mesmo já comecei um outro, que postarei em breve.

Mas vamos então aos acontecimentos deste último volume. Antes de começar, gostaria de deixar claro que ao terminar a leitura você irá aprender duas coisas muito importantes:

  1. Pompeu era um covarde. Sim, um verdadeiro bundão que tremia de medo na presença de Júlio.
  2. Júlio sempre mereceu todas as glórias, mas no final da vida passou dos limites. Sim, pra tudo tem um limite na vida, principalmente para o orgulho, ego e petulância. Aprenda com o César que caso te faltem limites, seu melhor amigo pode te matar.

E não venha me dizer que acabei de contar o final do livro porque você aprendeu na escola que Brutus matou Júlio César e daí veio a expressão “Até tu Brutus”. Se você não lembra disto é porque dormiu na aula de história, o que não é um problema porque agora você pode ler essa coleção e manjar muito de Roma e Júlio como eu estou manjando! 😉

Este último livro se chama Os deuses da guerra porque Júlio (o deus-mor da guerra) luta contra Pompeu (o deus covarde) e até mesmo contra o exército egípcio (deus do Nilo). Grande parte do livro se volta à luta de Júlio contra Pompeu, que começou com Pompeu declarando Júlio inimigo de Roma. Como pode né, o cara era cônsul! Mas ok! Aí Júlio decide voltar com seu exército para Roma e Pompeu foge com parte dos senadores e um grande exército para a Grécia.

Então Júlio vai atrás de Pompeu na Grécia e durante toda o período pré-luta e luta você chega à conclusão que Pompeu era um covarde. Tudo bem que ele estava super doente, mas deixar Júlio ir embora mesmo quando os soldados inimigos estavam desertando é ser bunda-mole demais pra mim. Como aconteceu em todos os livros, Júlio vence essa batalha contra Pompeu, que foge para o Egito (covarde, again).

Então, novamente, Júlio vai atrás de Pompeu. E quando chega ao Egito onde está Pompeu? Morto dentro de um vaso. Sim, mortinho da silva porque os egípcios não queriam guerras romanas em seu território. Então, até hoje sem saber o motivo real, Júlio chora pela morte de Pompeu. Talvez pelos tantos anos que eles governaram Roma juntos ou talvez porque a esposa de Pompeu era filha de Júlio e ele prometera não matar seu marido.

Pois bem, quem era a pessoa/divindade mais bela e sensual do Egito? Cleópatra, que, para resumir a história, convenceu Júlio a ficar do lado dela e contra seu irmão/marido/parente/deus/rei do Egito. Daí teve uma lutinha básica lá no palácio do rei do Egito, Júlio pegou Cleópatra, que ficou grávida dele e lhe deu seu único filho, Ptolomeu Cesário.

No final, Brutus matou Júlio, como já sabemos. Isso porque o grande César queria ser rei de Roma e extinguir a tão amada República. Daí, depois de um tempo, Otaviano mata o filho de Júlio, pois ele era o único que poderia ameaçar o seu poder, já que Júlio colocou Otaviano como seu herdeiro em seu testamento (eles eram parentes, mas não sei se cheguei a falar disso nos outros posts sobre a série).

Resumindo, muito mal e porcamente, se comparada ao Iggulden, foi isso que aconteceu no último livro. Mas sugiro que você não se contente com essa resenha e procure ler toda a série, porque vale muito a pena. Eu vou dar de presente de aniversário para o meu querido noivo e vou dar também para o meu pai no dia dos pais. Tenho certeza absoluta que eles irão gostar, não tem como ser o contrário!

Trecho avulso:

Pag.104

Servília cruzou os braços com um cuidado lento e ele a olhou, percebendo sua irritação. Seus olhos perderam o vazio distraído e ela quase pôde sentir toda a força de atenção dele.
– Eu deveria ter guardado a tarde para você – disse Júlio, segurando as mãos dela. – Devo mandá-los embora, Servília? Poderíamos ir cavalgar na pista de corridas ou nos sentarmos à margem do Tibre para desfrutar do sol. Eu poderia lhe ensinar a nadar.
Era necessário um esforço para não cair no feitiço do sujeito. Apesar de tudo o que acontecera entre eles, Servília ainda podia sentir o encanto que ele espalhava.
– Já sei nadar, Júlio. Bom, receba seus homens e vá a Óstia. Talvez você ainda tenha uma chance de visitar sua jovem esposa esta noite.
Ele se encolheu diante disso, mas os dois puderam ouvir o barulho dos oficiais entrando na casa principal. O tempo dedicado a ela estava acabando.
– Se houvesse dois de mim, não bastariam para tudo que tenho a fazer – disse ele.
– Se houvesse dois de você, um mataria o outro – retrucou ela enquanto Domício entrava na sala. Este riu de orelha a orelha ao ver Servília e ela o cumprimentou com um sorriso antes de pedir licença. Num instante apenas sua fragrância permanecia no ar e Júlio estava ocupado recebendo os outros e gritando impaciente por comida e bebida.

Gente, agora que vi, procurando no google, que o autor desse livro morreu dia 06 desse mês, eu não sabia! Fiquei bem triste! Ao menos ele deixou uma vasta obra pra humanidade, e Fahrenheit 451 é seu livro mais cohecido! 451 é a temperatura, em fahrenheit, da queima do papel.

Fahrenheit 451 conta a história de um bombeiro, chamado Montag, que vivia em um tempo que as casas não pegavam fogo por acidente. Pelo contrário, os bombeiros eram os responsáveis por queimar as casas, mas só as que tivessem livros. E o proprietário da casa que leu os livros era preso em um manicômio.

As pessoas passavam a maior parte do tempo com a “família”, que era um conjunto de telas com uma pessoa em cada, e elas passavam horas conversando sobre futilidades ou brigando. Ou então, assistindo à uma programação de péssima qualidade, com um dos programas intitulado “Palhaço Branco”.

Montag morava com Mildred, que tem um vocabulário tão pobre que beira ao infantil, isso devido ao controle que a TV exercia sobre as pessoas. Eles não dormiam na mesma cama, e, graças a isso, ele conseguiu esconder um livro embaixo do travesseiro.

Após um conversa um tanto quanto estranha com sua vizinha, Montag passa a se interessar pelos livros e acaba roubando um de uma casa antes de queimá-la. Ele esconde vários livros em sua casa mesmo sabendo das conseqüências que isso poderia trazer. O seu desejo de conhecimento é mais forte do que ele pode controlar e seu chefe acaba descobrindo que ele estava “doente”.

O resto da história, que é a parte mais legal, eu não vou contar porque você precisa ler esse livro. Essa distopia (contrário de utopia) realmente nos leva a pensar sobre a nossa sociedade e quem tem o poder sobre nós. Não creio que a sociedade descrita no livro esteja muito distante de nossa realidade, porém acho bem difícil banirmos os livros, talvez em outros países com um regime mais totalitário, quem sabe…

O livro é muito bom, recebe cinco estrelas e a leitura é super tranqüila, o final é totalmente esperançoso, graças às pessoas que Montag encontra e à guerra que é feita. E tem até uma parte do livro meio reality-show, dá muito nervoso nessa hora!

Tem um trecho do livro que eles citam Viagens de Gulliver, e você pode ler um pouco sobre esse livro aqui! E tem um livro sobre esse filme, que eu estou baixando agora! Tomara que seja tão bom quanto o livro!

Trechos avulsos:

Pag.21
E então Clarisse McClellan disse:
– Posso fazer uma pergunta? Há quanto tempo você trabalha como bombeiro?
– Desde os vinte anos. Dez anos atrás.
– Você nunca nenhum dos livros que queima?
Ele riu.
– Isso é contra a lei!
– Ah, é claro.
– É um trabalho ótimo. Segunda-feira, Millay; quarta-feira, Whitman; sexta-feira, Faulkner. Reduza os livros às cinzas e, depois, queime as cinzas. Este é o nosso slogan oficial.
Caminharam ainda mais um pouco e a garota disse:
– É verdade que antigamente os bombeiros apagavam incêndios em lugar de começá-los?
– Não. As casas sempre foram à prova de fogo, pode acreditar no que eu digo.
– Estranho. Uma vez me disseram que, muito tempo atrás, as casas pegavam fogo por acidente e as pessoas precisavam dos bombeiros para deter as chamas.
Ele riu.

Pag. 92
Não se pode construir uma casa sem pregos e madeira. Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Deixe que ele se esqueça de que há uma coisa com0 a guerra. Se o governo é ineficaz, despótico e ávido por impostos, melhor que ele seja tudo isso do que as pessoas se preocuparem se ele é ou não. Paz, Montag. Promova concursos em que vençam as pessoas que se lembrarem da letra das cações mais populares ou dos nomes das capitais e dos estados ou de quanto foi a safra do milho do ano anterior. Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com “fatos” que elas se sintam empanturradas, mas absolutamente “brilhantes” quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia. Todo homem capaz de desmontar um telão de tevê e montá-lo novamente, e a maioria consegue, hoje em dia está mais feliz do que qualquer homem que tenta usar a régua de cálculo, medir e comparar o universo, que simplesmente não será medido ou comparado sem que o homem não se sinta bestial e solitário.

Sim, O homem que confundiu sua mulher com um chapéu é um título bem interessante para um livro, realmente é muito convidativo na minha humilde opinião e faz mais de um ano que estou querendo ler esse livro. Ouvi sobre ele na faculdade, na aula de jornalismo literário, pois a história do homem que confundiu sua mulher com o chapéu é, na verdade, uma narrativa do problema cerebral de um senhor casado, no entanto chama a atenção pela forma que a história é contada, de forma leve e divertida.

Oliver Sacks é um neurologista que conta, de maneira  informativa e detalhada diversos casos de pessoas com problemas pouco usuais no nosso cotidiano. Você pode pensar que o livro é chato por contar casos médicos, mas eu gostei muito das histórias, que são um pouco assutadoras se pensarmos que são reais. Mas mesmo gostando dos casos do livro, vou dar três estrelas porque por mais que a didática tenha estado sempre presente, há muita informação técnica. Isso pode ser bom, mas como a minha espectativa com o livro não era saber a fundo sobre o sistema nervoso e suas panes, eu achei bem chatas as partes técnicas. Talvez se fosse psicóloga pudesse dar cinco estrelas, mas não sou.

Bom, mas vamos aos casos reais e legais do livro, de maneira bem resumida, ok?

O primeiro é de um homem que não tinha nenhum problema nas vistas, o problema estava na parte visual do cérebro. Ele conseguia ver os obejtos e descrevê-los, mas não conseguia definí-los. Ele via uma luva, falava sobre o tecido, sobre a forma, sobre a cor, mas não conseguia dizer que aquilo era uma luva. Em um de seus exames com o Dr. Sacks, ele decidiu por conta própria que o exame tinha acabado e procurou em volta por seu chapéu para poder ir embora. Ele estendeu a mão, agarrou a cabeça da esposa, tentou ergue-lá e tirá-la para por em sua cabeça, ou seja, ele confundiu sua mulher com um chapéu.

Outro caso lembra o Tom 10 segundos, daquele filme com o Adam Sandler e Drew Barrymore, Como se fosse a primeira vez, lembra? A memória do Tom do filme durava apenas 10 segundos. No caso do livro, durava cinco minutos, e não era com o Tom, era com o sr. Thompson, que vivia inventando histórias, sempre de maneira divertida. Mas para o sr. Thompson as histórias que ele contava não eram invenções, pelo contrário, faziam parte de um mundo normal, concreto e estável. Tem uma história de um soldado com o mesmo problema da Drew Barrymore no filme. Ele acorda todos os dias pensando que o tempo não tinha passado, ele tinha memória até uma determinada data.

Uma outra história é de Donald, que matou sua namorada quando ele estava sob influência de drogas. O problema é que ele não se lembrava do assassinato, houve um black-out nessa parte de sua memória. Mas o problema maior não é esse. Após quatro anos internado em um hospital psiquiátrico, mesmo com algumas dúvidas dele ser criminoso ou insano, ele começou a cuidar do jardim do hospital e aceitou a reclusão dizendo que se sentia seguro e que não era apto para viver em sociedade. Aconteceu que, andando de bicicleta, ele foi atingido por um carro e sofreu uma grave lesão na cabeça, ficando em coma. Ao retornar, ele passou a ter sérios pesadelos e, adivinha, só? Se lembrou do assassinato! E passou a ter pensamentos constantes de suicídio devido às lembranças. Mas com remédios, acompanhamento médico, e principalmente com a retomada da jardinagem, ele ficou bem.

O úlimo caso que vou contar é a história é sobre John e Michael, gêmeos que você pode escolher como chamá-los, se autistas, psicóticos ou retardados, ninguém sabe ao certo. O que chamava a atenção neles é que eles conseguiam dizer em qual dia da semana cairia uma data no futuro ou caiu no passado, isso porque eles usavam um algorítmo inconsciente de calendário. Inconsciente porque eles não sabiam calcular. Muito doido né?! Sim, eles não sabiam calcular conscientemente, mas sabiam inconsconcientemente! Eles conseguiam dizer todos os números primos até os números com 12 dígitos e passavam a tarde nessa brincadeira. Além disso eles conseguiam dizer tudo o que viram em todos os dias da vida deles. Sim, se você perguntasse como estava o clima em 25 de março de 1990, eles saberiam dizer e dariam informações extras dos acontecimentos do dia! Ah, mas o mais impressionate foi que ao cair uma caixa de fósforos no chão, ambos disseram simultaneamente “111”, e depois um deles disse “37”. Coisa de maluco você achou? Sim, eram 111 os fósforos na caixa. “Como conseguiram contar os fósforos tão depressa?”. “Não contamos, nós vimos os 111”. “E por que vocês murmuraram 37 e repetiram isso três vezes?”. Já sabe agora? 37+37+37=111! E para tornar a história mais assustadora, saiba você que 37 é um número primo!

O livro, no total tem 24 casos clínicos, todos no nível desses cinco que coloquei acima. O conjunto é muito bom, apenas tiraria um pouco a parte médica!

Trechos avulsos:

Pag.28
“O que é isso?”, perguntei, segurando uma luva.
“Posso examinar?”, ele pediu e, pegando-a, passou a examiná-la como fizera com as formas geométricas.
“Uma superfície contínua”, declarou por fim, “envolta em si mesma. Parece ter” – hesitou – “cinco bolsinhas protuberantes, por assim dizer.”
“Algum tipo de recipiente?”
“Sim”, respondi. “E o que ele guarda?”
“Guarda seus conteúdos!”, replicou o dr.P., rindo. “Há muitas possibilidades. Poderia ser um porta-moedas, por exemplo, para cinco tamanhos de moedas. Poderia…”
Interrompi a torrente de ideias amalucadas. “Não lhe parece familiar? Não acha que isso poderia conter, poderia servir em uma parte de seu corpo?”
Nenhuma luz de conhecimento despontou em seu rosto.*
Uma criança nunca teria a capacidade de falar em uma “superfície contínua… envolta em si mesma”, mas qualquer criança, qualquer bebê, reconheceria imediatamente uma luva como tal, como algo familiar, algo que dizia respeito à mão.
*Posteriormente, por acidente, ele a calçou, exclamando: “Meu Deus, é uma luva!”.

Pag. 253
Ou, mudando estranhamente, mas não ilogicamente, de direção, poderia ele, com suas peculiaridades, sua idiossincrasia, fazer desenhos para contos de fadas, histórias infantis, histórias bíblicas, mitos? Ou (já que não sabe ler e vê as letras apenas como puras e belas) não poderia ele ilustrar e refinar as magníficas iniciais de breviários e missais manuscritos? Ele produziu belos retábulos para igrejas, em mosaico e madeira tingida. Esculpiu letreiros primorosos para lápides de sepulturas. Seu “trabalho” atual é escrever avisos diversos para a enfermaria, o que ele faz com os floreios e o refinamento de uma carta magna moderna. Tudo isso ele seria capaz de fazer, e muito bem. E seria útil e prazeroso para outras pessoas, e daria prazer também a ele. Ele poderia fazer tudo isso – mas, infelizmente, não fará coisa alguma, a menos que alguém muito compreensivo, e com oportunidades e recursos, possa orientá-lo e empregá-lo. Pois, do modo como estão as coisas, ele provavelmente nada fará, e passará uma vida inútil, infrutífera, como tantas outras pessoas autistas, ignoradas, desconsideradas, na enfermaria mais remota de um hospital psiquiátrico.

Acreditem ou não, esse foi o único livro que já li do Luis Fernando Veríssimo, te decepcionei? Espero que não porque vou te decepcionar ainda mais com esse texto devido à minha memória falha. Acontece que li esse livro faz algumas semanas, porém não comentei sobre ele logo em seguida porque meu computador estava no conserto. Agora arranjei tempo e disposição para falar sobre o livro, mas não lembro muito bem da história, mas acabei de reler alguns trechos e consegui relembrar que gostei muito do livro quando li, por isso ele recebe cinco estrelas.

Esse é o primeiro romance que Veríssimo escreve por conta própria, sem ser encomendado por nenhuma editora, e nele há pitadas de humor, o forte do autor. A história, escrita em primeira pessoa, é sobre um homem que tem o emprego que eu gostaria de ter. Ele trabalha em uma editora lendo originais e decidindo se eles merecem ou não serem publicados. Azar o seu se o personagem pegar seu original numa segunda-feira, pois este é o dia em que ele recusa todos e manda cartas mal educadas para os autores, incentivando-os a nunca mais escreverem nem um recadinho na geladeira de tão ruins que são. Mas todo esse mau humor ocorre porque, na verdade, o personagem leva uma vida perdida e cheia de infelicidade, mesmo com um emprego que considero dos sonhos! Pois então, o personagem tem um casamento deplorável e passa o final de semana inteiro no bar, bebendo com seus semelhantes.

Mas toda essa monotonia e melancolia se esvaem quando ele recebe um original intitulado Ariadne, com um florzinho no lugar do pingo do i. Ele lê o original e se apaixona por Ariadne, e pede para a autora que mande mais partes para que eles possam saber se a história inteira é boa mesmo ou apenas o começo. Ele recebe mais pedaços do original e leva para os amigos do bar para ter a opinião deles sobre a história, se é verdadeira, invenção, se eles conhecem a cidade da história, chamada Frondosa…

A história começa a ficar boa quando o grupo de amigos resolve que precisam ir até Frondosa descobrir mais sobre essa história. Muitas coisas espantosas e engraçadas acontecem, mas não irei contar porque o livro é super fácil de ler, tem apenas 142 páginas! Super recomendo!

Trechos avulsos:

Pag.22:
Naquela sexta-feira levei o manuscrito para o bar do Espanhol, para ter o parecer do professor Fortuna. Tese do professor: a literatura, como a estiva e a Fórmula 1, não é para as mulheres. A todos os meus exemplos de grandes escritoras ele sacudia a cabeça de um lado para o outro com sorriso demoníaco. Dizia que só o que as mulheres conseguem com sua literatura é enlouquecer a si próprias e quem está por perto. Dizia que mulheres escritoras já arruinaram a vida de mais homens do que as putas e as cartas. Ele tinha sérias dúvidas sobre a conveniência de ensinar mulheres a escrever e pregava uma firme ação corretiva à primeira manifestação de ambição literária em meninas. Por isso nos surpreendeu quando terminou de ler as quatro folhas e declarou:
– Não está ruim.
– Gostou, professor?!
– Não está ruim.
– Virginia Woolf ou Madame Dely?
– Me parece mais Ivona Gabor
Debin e eu nos entreolhamos. Ivona Gabor?!
– Húngara – continuou o professor. – Vocês, é claro, não conhecem.
– O que ela escreveu?
O professor suspirou e fez um gesto vago. Não podíamos esperar que ele se lembrasse assim, na hora, da obra de Ivona Gabor. Que, aparentemente, era extensa.
– Ela já morreu?
– Há muito tempo. Se matou, não sem antes enlouquecer o marido e toda família. Mais um exemplo da imprudência da alfabetização indiscriminada.

Pag. 116
Paula nos contou que a igreja matriz costuma encher aos sábados à tarde, que é quando o padre Bruno ouve confissões. A maioria não vai para se confessar, vai para ouvir as confissões dos outros. Como padre Bruno é surdo, os fiéis são obrigados a gritar seus pecados, e não é raro um murmúrio percorrer a plateia quando um pecado surpreendente emana do confessionário, depois de um “Hein?” do padre Bruno.
– Tive pensamentos impuros com o Arlindo, padre.
– Hein?
– Tive pensamentos impuros com o Arlindo!
– Quem?
O Lúcio Flávio mantém uma informante de plantão na igreja durante as confissões. Ela senta perto do confessionário e faz anotações, compilando os pecados dos fiéis da cidade. Lúcio Flávio nos assegurou que as confissões de Ariadne eram como as de uma criança. Nenhum pecado maior. Nem em pensamento.